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Projeto Educar para Doar é vencedor de Prêmio Paulo Freire

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Andressa Villagra

A cerimônia anual do Prêmio Paulo Freire de Qualidade do Ensino Municipal aconteceu no dia 17 de setembro na Câmara Municipal dos Vereadores de São Paulo. O projeto Educar para Doar da AMEO, realizado em parceria com a EMEF Professora Wanny Salgado Rocha, na zona leste de São Paulo, ganhou o primeiro lugar como melhor projeto na Categoria II de Ensino Fundamental I.

Criado em 1998, a premiação, que homenageia o educador Paulo Freire, tem o intuito de incentivar e valorizar as iniciativas criativas criadas para melhorar o ensino oferecido nas escolas da Prefeitura. Esse ano o prêmio teve mais de 81 projetos inscritos nas quatro categorias. O projeto Educar para Doar foi inscrito pelas professoras: Patrícia Lopes Silva, Adriana Quadrado e Edna Valinas.

A ideia da inscrição do projeto no Prêmio Paulo Freire, segundo a professora Patrícia, 37, surgiu este ano, dois meses depois de receber a notícia de que a AMEO havia inscrito a parceria da EMEF. Prof. Wanny Salgado Rocha com o “Educar para Doar” no Prêmio Itaú Social. “Pensamos que se a AMEO havia escolhido a nossa escola dentre tantas outras em que realiza o seu projeto, o nosso projeto de alguma forma se destacou”, afirma.

O projeto já existia na escola com outro nome “Futuro Doador”, no qual as professoras desenvolveram a importância do ato de doar, o processo de doação, a cidadania, a satisfação de poder ajudar a outros sem a intenção de nada em troca. O projeto ganhou formas de campanha efetiva de doação de sangue quando começou a parceria com a AMEO e o Projeto Educar para Doar.

O Prêmio Paulo Freire contempla projetos em que os alunos tenham autonomia e ajam como sujeitos de seu próprio conhecimento. A professora acredita que o projeto venceu a premiação porque foi capaz de oferecer ao aluno a oportunidade de aprender com consciência, atuando e sendo protagonista de sua aprendizagem. “Os alunos puderam tirar dúvidas nas palestras com as funcionárias da AMEO, agiram com cidadania indo às ruas propagar as informações de que tinham tomado conhecimento, fizeram sua apresentação musical para a comunidade, ou seja, em todas as etapas do projeto, os alunos não foram meros expectadores ou ouvintes, eles interagiram em todos os momentos”, explica Patrícia.

Dentre os diversos professores da rede municipal, a maioria mulheres, a professora Patrícia Lopes não escondia sua felicidade. “A sensação é maravilhosa! Para nós, educadoras responsáveis pelo projeto, trata-se de um momento ímpar em nossa carreira. A Educação encontra muitos desafios. Na escola pública isto se agrava. Todos os dias, nos dedicamos e nos esforçamos para darmos o melhor em sala de aula”, revela. “Receber um reconhecimento público destes nos inspira, nos renova e nos assegura de que estamos no caminho certo”, conclui Patrícia.

Os alunos que participaram do projeto ficaram felizes e surpresos com o prêmio de primeiro lugar. “Numa comunidade que lida com situações precárias e de vulnerabilidade, ganhar um prêmio que se refere a um projeto que participaram na escola, para muitos seria impensável”, explica a professora. A escola fica na periferia de São Paulo e, raras às vezes, os estudantes podem participar de projetos como esse. “Por isso, ao dar a notícia e apresentar o prêmio, houve uma conversa sobre o empenho que eles tiveram: dedicação, disciplina e comprometimento. Abordamos muito a questão do mérito deles neste prêmio e valorizamos sua participação”, conta Patrícia.

Para a escola o prêmio é a legitimação das ações desenvolvidas na unidade, segundo a diretora da EMEF Professora Wanny Salgado Rocha. “As ações estão sendo valorizadas, conhecidas e colocadas em prática. É uma oportunidade de outras pessoas conhecerem o projeto e mobiliza-las nesta ação”, explica Maria Cristina Cicale, 42.

Segundo o gerente da AMEO, Wagner Fernandes, o projeto estava estagnado até o meio do ano passado por falta de recursos. “Só foi possível retomar as ações com o patrocínio da Fundação Zurich Santander, por meio de um projeto que a AMEO venceu”, revela. “A gente fica muito feliz em receber o prêmio, pois é uma forma de perceber que o projeto realmente é importante e de mostrar também para a Fundação a relevância da atitude deles”, conclui ele feliz. Para a professora do projeto a importância do prêmio também dialoga com a opinião do gerente. “A premiação é extremamente relevante e reforça a necessidade da continuidade do projeto”, conclui.