Como uma empresa recebe um colega que acaba de vencer o câncer?

Mieloma Múltiplo: diagnóstico, tratamento e os desafios de uma jornada longe de casa
5 de outubro de 2026

Como uma empresa recebe um colega que acaba de vencer o câncer?

Ao voltar ao trabalho após o tratamento contra o câncer, Clauber Volinsky, paciente oncológico e criador do podcast Sol em Câncer, teve medo de ser considerado “café com leite” e de não ser levado a sério pelos colegas. O receio evidencia uma das dificuldades enfrentadas por pacientes oncológicos ao retornarem ao ambiente profissional: o medo de serem tratados de maneira diferente após a doença.

É comum que colegas e gestores não saibam como agir quando uma pessoa que passou por um tratamento oncológico retorna ao trabalho. Sem saber como está sua saúde física e emocional, podem acabar tratando esse profissional de maneira diferente. No entanto, é importante entender que ter passado por um tratamento não significa ser incapaz de exercer suas funções.

Alguns pacientes podem apresentar limitações físicas após o tratamento e, por isso, não conseguir retomar as mesmas atividades que exerciam anteriormente. Em determinados casos, é necessário adaptar as funções, evitando, por exemplo, carregar peso ou permanecer longos períodos em pé. Quando as empresas não estão preparadas para lidar com essas necessidades, o retorno pode se tornar ainda mais difícil, e o paciente pode enfrentar situações de exclusão e até mesmo de demissão.

Para trazer mais pessoas para esse debate tão importante, o 13º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) promoveu, no primeiro dia do evento, o painel “Acolhimento de Pessoas com Câncer no Mercado de Trabalho”. Durante a conversa, especialistas e pacientes discutiram a importância do acolhimento e os desafios enfrentados por quem retorna ao trabalho após o tratamento. Entre os participantes estava Clauber Volinsky, paciente oncológico que mencionamos anteriormente nesta matéria, que falou um pouco das suas dificuldades na volta ao trabalho.

Como acolher pacientes oncológicos no ambiente de trabalho?

Durante o painel, Clauber e os demais palestrantes destacaram a importância do diálogo entre o paciente e a equipe de trabalho. Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor de Saúde e Bem-Estar da ABRH Brasil, ressaltou a necessidade de aproximar a área de Recursos Humanos de profissionais de outras áreas, como a saúde e o Direito, sem perder de vista o cuidado com os funcionários e as equipes.

Os especialistas reforçaram que é fundamental conversar com o profissional que está retornando ao trabalho para entender como ele está se sentindo, quais são suas necessidades e quais atividades consegue realizar. Esse diálogo permite identificar possíveis limitações, avaliar adaptações na rotina e encontrar maneiras de incluí-lo nas atividades da equipe, sem presumir o que ele pode ou não fazer.

Dessa forma, a comunicação ajuda tanto a empresa, que consegue organizar o retorno às atividades considerando as necessidades de cada profissional, quanto o paciente, que pode se sentir acolhido e respeitado nesse processo, sem ser excluído ou tratado de maneira diferente por ter passado por um câncer.

Como as oficinas da AMEO abrem caminhos para novas oportunidades.

Pensando nos desafios enfrentados pelos pacientes durante e após o tratamento, a AMEO oferece oficinas profissionalizantes para as pacientes acolhidas na Casinha. As atividades apresentam novas possibilidades de trabalho, ajudam a desenvolver habilidades e podem contribuir para a geração de renda, além de oferecerem um espaço de acolhimento e convivência durante o tratamento.

Duas pacientes, Geanne e Maria Eliane, conseguiram criar seus próprios negócios a partir das experiências adquiridas nas oficinas da AMEO.

Geanne foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda (LMA) e precisou se afastar do trabalho por conta do tratamento. Sem poder trabalhar, passou por um período de sofrimento emocional e encontrou nas oficinas da AMEO um espaço de acolhimento. Em uma das atividades, aprendeu a produzir velas aromáticas e aromatizadores de ambiente e criou seu próprio negócio a partir desse aprendizado.

Maria Eliane também precisou parar de trabalhar por conta do tratamento, e durante as idas frequentes à Santa Casa para exames e acompanhamento médico, passou a frequentar as oficinas na Casinha, onde aprendeu a fazer bijuterias. A atividade despertou seu interesse e se tornou o ponto de partida para seu próprio negócio.

As trajetórias das duas pacientes mostram como as oficinas podem ajudar a desenvolver novas habilidades, recuperar a confiança e construir possibilidades de autonomia financeira. Conheça mais sobre a trajetória das meninas lendo a matéria completa no site da AMEO: https://ameo.org.br/geanne-e-maria-eliane-pacientes-que-comecaram-a-empreender-por-conta-de-oficinas-na-casinha/

A AMEO tem como objetivo apoiar pacientes e familiares durante o tratamento, mas esse cuidado não termina quando essa etapa chega ao fim. A associação também busca contribuir para que os pacientes retomem seus projetos, conquistem novas oportunidades e encontrem caminhos para seguir suas vidas após o tratamento.